Ex-deputado federal Gilson Machado Guimarães morre aos 75 anos no Recife

Gilson vinha lutando há alguns meses contra um câncer.

163
Empresário Gilson Machado. Foto: Nando Chiappetta.

O ex-deputado federal e empresário Gilson Machado Guimarães Filho, morreu aos 75 anos na tarde deste domingo (22), na casa onde morava, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Gilson vinha lutando há alguns meses contra um câncer.

O velório do empresário ocorre nesta segunda-feira (23), no Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, no Grande Recife. A cremação está prevista para as 19h do mesmo dia.

Biografia

Gílson Machado Guimarães Filho nasceu em Recife, no dia 14 de maio de 1942, filho de Gílson Machado Guimarães e de Cordélia Lopes Machado Guimarães.

Empresário do setor canavieiro, fez parte da liderança classista dos usineiros do estado. Deixou a Universidade Católica de Recife sem completar o curso de direito. Participou da diretoria do Sindicato da Indústria do Açúcar de Pernambuco entre 1970 e 1973 e nessa condição representou a entidade nos planos de safra do Instituto do Açúcar e do Álcool durante seis anos.

Diretor executivo do conselho de administração da Agroindustrial Matary Ltda. e da Indústria Madeireira Ltda., ambas em Santa Luzia (MA), de 1973 a 1977; presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar, de 1977 a 1986; integrante do conselho de representantes da Federação das Indústrias e da Comissão de Abastecimento de Produtos Claros e Escuros da Comissão Nacional de Pesquisa e conselheiro da Associação Comercial de Pernambuco, em 1979; membro do conselho de administração da Agropecuária Vale do Matary S.A., do conselho do Programa de Apoio à Economia Canavieira e de Fomento à Indústria Sucroalcoolquímica do Governo de Pernambuco e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado e da Associação Nacional dos Produtores de Álcool, em 1980; diretor-executivo da Republicana Transportes Comércio e Representação Ltda., em 1981, Gílson Machado tomou parte na comitiva do presidente da República, general João Figueiredo, a Washington, nos Estados Unidos, e ao México, em 1982 e 1983.

Ainda em 1983 participou do conselho consultivo da Federação das Associações Comerciais de Pernambuco e dos conselhos de administração da Companhia de Habitação e da Companhia de Armazéns Gerais; foi também diretor executivo da Agropecuária Tamarindo S.A.

No mesmo ano representou o diretório regional na convenção nacional do Partido Democrático Social (PDS). Em 1984 e 1985 voltou a participar de comitivas presidenciais a Tóquio, no Japão, e a Pequim, na China. Em 1985 foi nomeado diretor executivo da Fertiflora Adubos Ltda.

Afastou-se do Sindicato dos Usineiros de Pernambuco em 1986 para concorrer a uma vaga de deputado federal constituinte pelo Partido da Frente Liberal (PFL). Representando sobretudo os interesses da agroindústria canavieira, elegeu-se em novembro de 1986, com uma expressiva votação obtida graças a acordos feitos com antigas lideranças políticas principalmente na Zona da Mata, no Agreste e no Sertão.

Tomou posse em 1º de fevereiro de 1987. Titular da Comissão de Sistematização e da Subcomissão de Princípios Gerais, Intervenção do Estado, Regime da Propriedade do Subsolo e da Atividade Econômica, da Comissão da Ordem Econômica, e suplente da Subcomissão do Sistema Financeiro, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças, votou a favor da pena de morte, do presidencialismo, do mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney, da anistia aos micro e pequenos empresários, da pluralidade sindical. E contra o voto facultativo aos 16 anos, a soberania popular, o mandado de segurança coletivo, a limitação do direito de propriedade, a nacionalização do subsolo, a estatização do sistema financeiro, o limite de 12% ao ano para os juros reais, a limitação dos encargos da dívida externa, a proibição do comércio de sangue, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a jornada semanal de 40 horas, o turno ininterrupto de seis horas, a estabilidade no emprego, o aviso prévio proporcional, a unicidade sindical, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária e a desapropriação da propriedade produtiva.

Ainda durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte foi autor da emenda que visava à coincidência de todos os mandatos, de presidente a vereador, a partir de 1994. Para tanto, seu calendário eleitoral previa eleições municipais somente em 1990. Contrário à Aliança Democrática formada pelo PFL e o PMDB, defendeu o rompimento com o governo, caso o presidente Sarney não reformulasse o pacto que o sustentava.

Com a promulgação da nova Carta Magna em 5 de outubro de 1988, Gílson Machado voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários da Câmara como titular da Comissão de Economia, Indústria e Comércio; suplente das comissões de Agricultura e Política Rural, e de Defesa Nacional; primeiro vice-presidente da comissão especial sobre a instituição da pena de morte; e suplente da comissão parlamentar de inquérito sobre a privatização da NEC do Brasil.

Foi ainda titular da Comissão de Finanças e Tributação; vice-líder do bloco formado pelo PFL, Partido da Reconstrução Nacional (PRN), Partido da Mobilização Nacional (PMN) e Partido Social Trabalhista (PST); titular da comissão mista encarregada de rever doações, vendas e concessões de terras públicas; e suplente da Comissão de Minas e Energia e da CPI que investigou irregularidades na Previdência Social.

Reeleito no pleito de outubro de 1990, na sessão da Câmara de Deputados de 29 de setembro de 1992 foi um dos 38 parlamentares que votaram contra o impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de envolvimento num amplo esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Sem disputar nova reeleição em outubro de 1994, Gílson Machado deixou a Câmara dos Deputados ao término da legislatura, em janeiro de 1995.

Em maio de 1996, em artigo assinado no jornal O Globo sobre os trabalhadores rurais sem-terra, afirmou que a paz só voltaria ao campo quando se garantisse o direito de propriedade: “O país está cansado de discursos e leis (inexeqüíveis). Sejamos práticos. Garanta-se o direito da propriedade e remunerem-se os produtos agrícolas, que a paz voltará ao campo (não defendo a terra improdutiva, estas terão que ser confiscadas).”

Gílson Machado presidiu a Cooperativa dos Usineiros do Açúcar e do Álcool de Pernambuco e publicou Açúcar e álcool, seus problemas e sua importância em Pernambuco (1978), Álcool — depoimento de um empresário pernambucano (1979) e Cana de açúcar em Pernambuco, em busca de novos caminhos(1982).

Gilson também foi fundador e sócio das Rádios Gravatá FM e Integração FM (Surubim/PE), ambas existentes até hoje. Casado com Magnólia Maranhão Machado Guimarães, teve três filhos.

Deixe sua opinião!